tecnologia
um passo rumo à zootecnia de precisão
FDX vs HDX
Com a possibilidade de apoio financeiro para a identificação voluntária de ovinos e caprinos adultos, proporcionada pelo PRODER, cria-se a necessidade de analisar as características que convém assegurar na aquisição de identificadores electrónicos.
Importa analisar os critérios mínimos de conformidade e desempenho para os identificadores electrónicos, no sentido de garantir que aqueles dispositivos são legíveis em todas as diferentes condições de utilização.
A Comissão Europeia, ao estar consciente de que o utilizador final da tecnologia RFID não está suficientemente protegido para saber interpretar as “nuances” da tecnologia e do “negócio” (RFID business) para poder adquirir os identificadores e leitores que potencialmente podem vir a ser introduzidos no mercado, publicou a Decisão 968/2006 alterada pela Decisão 280/2010 para, entre outras coisas, orientar e exortar as autoridades competentes (em Portugal é a Direcção Geral de Veterinária) a:
a)Aprovar a utilização de identificadores que, pelo menos, tenham sido testados, com resultados favoráveis, em conformidade com os métodos especificados pelo ICAR;
b) Impor, se assim o entender, critérios específicos de desempenho aos leitores utilizados numa exploração específica ou num tipo específico de explorações.
A norma ISO 11784 especifica a estrutura do código de identificação enquanto a norma ISO 11785 especifica como o identificador (transpondedor, transponder, tag ou microchip) é activado e como a informação armazenada é transferida para o leitor. Nesta norma, foram aprovados os formatos de comunicação FDX-B (Full Duplex) e HDX (Half Duplex), com frequência de 134,2 KHz.
A diferença entre FDX e HDX reside no tipo de comunicação entre o leitor e o identificador.
Na tecnologia FDX, o comunicação entre o leitor e o identificador é contínua, ou seja, a resposta do identificador é enviada assim que recebe a onda do leitor e continua a enviar seguidamente a resposta até que o leitor cesse de enviar a onda de rádio frequência.
Já na tecnologia HDX, o identificador envia a resposta somente após o sinal do leitor se interromper, enviando uma única resposta.
FDX e HDX são interoperáveis mas não são compatíveis.
Do ponto de vista de eficácia da identificação por rádio frequência (RFID) as diferenças que existem entre estas tecnologias prendem-se com o tipo de utilização a que se destinam e ao ambiente de instalação/funcionamento.
Frequentemente são assinaladas as seguintes diferenças:
a)Embora FDX tenda para ser mais resistente a “ruídos” ambientais e eventualmente mais robusto em ambientes metálicos, pode ser mais susceptível a certas frequências electromagnéticas ambientais;
b)Nestas circunstâncias, HDX pode ter melhor desempenho que FDX;
c)Enquanto FDX exige menos componentes para a fabricação do identificador, o tipo de encapsulamento é a chave para a segurança da confiabilidade do produto, que é mais elevada na HDX.;
d)Em aplicações onde são necessárias múltiplos leitores, FDX pode ser menos caro para instalar. Como o sinal de excitação em HDX é feito em apenas metade do tempo, vários leitores exigem sincronização. Basicamente, todos os leitores precisam ter os seus sinais de excitar ligados e desligados ao mesmo tempo, caso contrário, o sinal pode causar interferência, afectando a capacidade do identificador para ser lido.
Muitas outras diferenças podem ser referidas, principalmente pelos adeptos de uma ou outra tecnologia, ou de um ou outro “fabricante”, mas o que importa é perceber que, apesar de haver diferenças entre os produtos (chips) fabricados (Texas; AEG; Sokymat; Phillips; ITR; Motorolla) o utilizador final não tem capacidade de conhecer o que efectivamente está a comprar por detrás do “camuflado” código de fabricante (assemblador) outorgado pelo ICAR.
Provavelmente é o tamanho do núcleo de ferrite e o comprimento da espiral de fio de cobre que constituem a antena e a intensidade de activação do campo magnético do identificador que mais influência a distância de leitura.
A orientação do identificador em relação ao leitor também influencia de forma significativa a distância de leitura, bem como nalguns modelos de leitores o nível de carga da bateria.
As distâncias de leitura obrigatórias que constam do Regulamento 21/2004 e respectiva emenda de 2008 são:
i)um mínimo de 12 cm para marcas auriculares e marcas no travadouro quando lidas com leitor portátil;
ii) um mínimo de 20 cm para bolos ruminais e transpondedores injectáveis quando lidos com dispositivo de leitura portátil;
iii) um mínimo de 50 cm para todos os tipos de identificadores quando lidos com dispositivo de leitura fixo.
Efectivamente, a distância de leitura mínima de 20 cm para um leitor portátil pode representar dificuldades na leitura de um bolo no reticulo-rúmen de uma ovelha/cabra grande e adulta.
A falha em identificar um animal, ou verificar se um animal já está identificado, devido à incapacidade do leitor para activar e ler o bolo deve ser uma razão válida para perceber que a falha se ficou a dever a uma distância de leitura inadequada.
Hoje falamos de ovinos e caprinos, mas amanhã falamos de bovinos, que terão que ser lidos com os equipamentos que estamos agora a adquirir.
Esta situação vai constituir o principal risco de dúvidas se o animal afinal está ou não identificado e logo a ocorrência de eventuais duplas identificações, que por si só representam o “assassinato” deste tipo de identificação.
Mais uma vez para o utilizador final pouco ou nenhum significado tem a conformidade com as normas ISO 11784 e ISO 11785, ou o acordo com os procedimentos de ensaio mencionados nos pontos específicos das normas ISO 24631-1 e 24631-3, pois o que interessa é que a autoridade nacional aprove a utilização dos identificadores com as características e a qualidade garantida para o bom funcionamento do sistema em Portugal.
Mas atenção que não basta aprovar identificadores, pois é preciso fiscalizar de forma continuada aquilo que efectivamente o “mercado” nos vai querer impingir.
A vantagem da tecnologia HDX é a sua optimização que aumenta consideravelmente a distância de leitura com leitores portáteis e a confiabilidade em processos dinâmicos, nomeadamente as leituras com os animais em movimento, em que se usam leitores fixos.
As fichas técnicas dos próprios leitores, portáteis e fixos, das várias marcas, põem em evidência as diferenças referentes à distância de leitura.
Portanto, quem tiver que decidir que tipo de bolo comprar, FDX ou HDX, se puder compre HDX !
Quarta-feira, 9 de Março de 2011